26 março 2010

IMPERCEPTIVELMENTE AMORDAÇADOS

“Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” Dt. 6. 6 e 7

Este claro mandamento dado a Moisés tinha por objetivo manter o Povo de Deus amparado por diretrizes que lhes promoveriam condições totalmente favoráveis para viverem em paz e harmonia na terra que estavam para habitar.

Obviamente que, embora a ordem não tenha sido dada a todo o povo reunido, cada família seria o ponto inicial para se alcançar o objetivo; portanto, nada mais apropriado do que enfatizar a importância de se ensinar a Lei divina aos filhos, dela falando assentado em casa, andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar. Nada mais apropriado do que fazer dela o assunto mais importante no diálogo familiar. Nada mais importante do que saber que de tudo o que se deveria aprender, os mandamentos do Senhor sempre deveriam ocupar um lugar de primazia.

Certamente houve quem tratasse com muita seriedade estas questões e que jamais se deixassem amordaçar por quaisquer outros compromissos, certas prioridades, necessidades ou interesses de outra natureza qualquer. Como resultado disto, sem sombra de dúvidas, desfrutaram dos incontáveis benefícios de estarem sujeitos às orientações dadas por Deus, sólido fundamento para o indivíduo, para sua família e para toda a sociedade.

O mesmo não se pode dizer quanto à realidade dos nossos dias. Não é especulação. É uma simples constatação. Embora a ordem seja a mesma, parece muito mais difícil assentar-se em família para falar sobre os mandamentos de Deus. Há muito assunto para os momentos de passeio, de andar juntos pelas ruas da cidade, no interior do automóvel mas, nem sempre há assunto suficiente para refletir sobre a Palavra de Deus e, talvez com menos gravidade, é possível que alguns ainda encontrem algum tempo para se aplicar à leitura bíblica, à oração, a entoar um cântico de louvor, naquele delicioso momento em que todos se preparam para se deitar.

Não tenho qualquer dúvida dos incontáveis desequilíbrios que têm sido desencadeados por uma imperceptível mordaça que está presa aos lábios de muitos que, no coração, confessam a Cristo como Senhor. Lábios amordaçados, silenciosos quando o assunto tem a ver com os mandamentos de Deus; por outro lado, lábios apressados para iniciar uma discussão, para falar de futebol, da vida alheia, para confidenciar assuntos a estranhos quando deveriam ser compartilhados com a família, ambiente onde estão presentes aqueles que amamos e por quem somos amados.

Sabemos qual é o caminho para reverter qualquer situação que se encaixe neste triste perfil. É preciso receber o mandamento dado a Moisés como sendo direcionado para nós mesmos e tomar uma atitude, mudando desde já tudo o que, eventualmente, encontra-se fora de lugar.

Que o Senhor nos dê sabedoria para tornar a vida melhor, seja para nós, para nossa família, para nossa sociedade, considerando atentamente a importância de se praticar a Sua vontade.

Rev. Marcos Martins Dias

06 março 2010

FAÇA O QUE EU MANDO

“Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens, entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.” MT. 23. 4

Os judeus foram muito oprimidos por seus líderes religiosos naquele período em que o Messias ainda estava por Se manifestar. A Lei havia sido interpretada de um modo extremamente deturpado, outros elementos foram agregados à ela, tinham uma vida moral e espiritual incompatível com o que ensinavam e, dentre outras coisas, ordenavam que se cumprissem certos rituais e que se aderissem certos costumes que eles mesmos não tinham qualquer preocupação em observar.

Jesus, entretanto, os desmascara continuamente, reprovando atitudes tão vis, dando o verdadeiro significado que a Lei deveria receber, conscientizando sobre a impossibilidade de observar qualquer mandamento sem considerar Sua obra mediadora, excluindo interpretações legalistas totalmente estranhas ao ensino original, além de confrontá-los com seus próprios erros e anunciar sua iminente condenação, oferecendo à igreja o “jugo suave o fardo leve”.

Certamente o preço pago por isso foi muito alto; entretanto, Seus ensinos, Sua obra, a entrega total de Sua vida trouxeram a verdadeira liberdade ao Seu povo.
Passaram-se os anos e, conscientemente ou não, aquela liderança medíocre, hipócrita, limitada, ignorante, déspota, enganada por si mesma, prosseguiu fazendo seus discípulos, na medida em que contribuiu para que surgissem tantos outros parecidos com eles, ensinando, se impondo, deturpando as Escrituras, estabelecendo normas que valem apenas para os outros e não para si mesmos, exercendo uma liderança que lança um jugo pesado sobre os outros ao mesmo tempo em que os poupa de abraçarem o mesmo compromisso de se sujeitarem às regras e leis que defendem, demonstrando que o valor do que deve ser feito aplica-se apenas aos que estão debaixo de sua liderança.

Guardando as devidas proporções, nos vemos diante de inúmeras circunstâncias onde pessoas são postas em posição de liderança e confundem o seu papel tanto em relação a Deus quanto em relação àqueles que lhes são confiados, ou seja, assumem autonomamente a condição de colocar em prática o velho adágio do “faça o que eu mando mas, não faça o que eu faço”.

Não é, necessariamente, uma atitude perceptiva. É algo tão natural que, geralmente não se percebe. Sabe-se apenas que exige-se dos liderados submissão, obediência, observância do que se “determina” mas, em muitos casos não empregam o mesmo critério para si mesmos, ou seja, não demonstram disposição para oferecer o mesmo comportamento com relação aos que foram postos como líderes sobre eles, dando provas de sua total incapacidade para liderarem, considerando que se sentem à vontade para pastorearem a si mesmos, colocando fardos pesados sobre os ombros alheios que eles mesmos não são capazes de suportar.

Todos precisamos avaliar o modo como temos tratado questões desta natureza, lembrando que uma maneira de validar nossa autoridade é sujeitarmo-nos humildemente àqueles que foram designados para nos orientarem e liderarem. À parte disto, não se deve esperar bons resultados. A mesma reprovação feita por Jesus aos escribas e fariseus também vale para muitos em nossas igrejas.

Diante disto, pergunte-se sobre como você está e, cuide para que sua atitude em relação aos que lidera seja um reflexo do seu comportamento relativo aos que orientam sua vida cristã, a qual não apresenta qualquer dificuldade para fazer o que lhe é orientado.

Rev. Marcos Martins Dias